16/05/10

Efeito secundário

Era tarde, estava exausta, tinha a sensação que os olhos ardiam como se estivessem em contacto com o fogo e que os braços pesavam mais do que todo o corpo, depois de hoje não me apetecia fazer nada, queria-me atirar de uma janela e poder sentir que não estava neste mundo.
Gostava de poder ter essa sensação, um dia...
Mas não, hoje não é o dia, hoje é dia de lembranças e decisões. Peguei na caixinha que tinha lá dentro as bolinhas daquela tal pulseira que intulavas como “a nossa pulseira”, ainda tinha lá umas fotocópias das cartas dos dias dos namorados e de mais algumas, ainda tinha lá alguns elásticos que te tinha tirado sem tu saberes, tinha lá montes de momentos guardados mas que não estavam lá dentro. Com a abertura daquela caixa senti uns segundos do teu cheiro, quase que o vi a querer abrir a porta para me guiar até tua casa, mas a porta estava trancada. Não queria que ninguém me visse com as lágrimas nos olhos por estar apenas com uma caixinha à minha frente.
E ao olhar para esta pequenina caixinha, reparo num mecanismo cinzento e azul que estava ao lado, penso que é um telemóvel.
Abria esta caixinha quando me sentia mesmo mal e parabéns, hoje conseguiste fazê-lo. Cada vez que abro esta caixa lembro-me do quanto eras, do “como” eramos. Todas as noites ambicionava um abraço teu, daqueles que eu dizia que amava, lembras-te? Daqueles que nada mais interessava à tua volta, quando nos abraçavamos? Nesses momentos eu sorria sempre e preferia dizer “amo-te” do que olhar-te nos olhos. Ás vezes também tenho problemas de expressão, sabes? E já agora, esta saudade que sinto, esta tristeza que me destroi são apenas efeitos secundários de te amar.

1 comentário: