16/05/10

Efeito secundário

Era tarde, estava exausta, tinha a sensação que os olhos ardiam como se estivessem em contacto com o fogo e que os braços pesavam mais do que todo o corpo, depois de hoje não me apetecia fazer nada, queria-me atirar de uma janela e poder sentir que não estava neste mundo.
Gostava de poder ter essa sensação, um dia...
Mas não, hoje não é o dia, hoje é dia de lembranças e decisões. Peguei na caixinha que tinha lá dentro as bolinhas daquela tal pulseira que intulavas como “a nossa pulseira”, ainda tinha lá umas fotocópias das cartas dos dias dos namorados e de mais algumas, ainda tinha lá alguns elásticos que te tinha tirado sem tu saberes, tinha lá montes de momentos guardados mas que não estavam lá dentro. Com a abertura daquela caixa senti uns segundos do teu cheiro, quase que o vi a querer abrir a porta para me guiar até tua casa, mas a porta estava trancada. Não queria que ninguém me visse com as lágrimas nos olhos por estar apenas com uma caixinha à minha frente.
E ao olhar para esta pequenina caixinha, reparo num mecanismo cinzento e azul que estava ao lado, penso que é um telemóvel.
Abria esta caixinha quando me sentia mesmo mal e parabéns, hoje conseguiste fazê-lo. Cada vez que abro esta caixa lembro-me do quanto eras, do “como” eramos. Todas as noites ambicionava um abraço teu, daqueles que eu dizia que amava, lembras-te? Daqueles que nada mais interessava à tua volta, quando nos abraçavamos? Nesses momentos eu sorria sempre e preferia dizer “amo-te” do que olhar-te nos olhos. Ás vezes também tenho problemas de expressão, sabes? E já agora, esta saudade que sinto, esta tristeza que me destroi são apenas efeitos secundários de te amar.

31/03/10

Hope

Estava eu na rua, sentada no passeio, por volta das 2h com a mão esticada para que alguém solidário me desse uma moeda para poder ir comprar algo, quando de repente surge um senhor vestido com roupas de cores escuras e com alguns buracos e sem meias que me perguntou se eu queria uma moeda, simpático fora o senhor pois parecera estar num pior estado que eu que tinha meias e sapatos. Estiquei a mão para que o homem me desse uma moeda, não queria parecer rude mas uma moedinha dava para apanhar o táxi e ir para casa, e quando o senhor abriu a mão e não me deu nada, não fui materialista nem quis parecer algo com muita ganância e perguntei o que o senhor teria colocado na minha mão. Ele respondeu “esperança”.
Fiquei a ver, a meditar, a refletir, a lembrar. Mas esperar para quê?
A certo momento ficara tudo branco: acordei. E como no meu normal dia-a-dia, fui tomar banho, vestir-me, lavar os dentes e pegar na minha mochila para ir para a escola.
Passara uma semana toda a fazer o meu dia-a-dia, até que chegou ao momento em que a pessoa que eu amava me disse que gostava mesmo de mim e que queria que tudo voltasse ao normal.
Nesse momento soube logo que o sonho teria algum significado:
esperar e nunca desistir até conseguir.

16/03/10

Um sempre descoberto


Um livro aberto, desfolhado faz com que caia uma página inundada em palavras de Amor como se fosse escrita para indicar que está na altura de Amar, de sentir. Olhando para essa página sobressai-nos a palavra «sempre». Agarro-te a mão, enlaçando os meus dedos com os teus, olhando-te nos olhos, aproximo-me dos teus lábios que me diziam que devia de seguir para o próximo passo, sinto cada vez mais o batimento exaltado do coração, parecendo uma águia disposta a fugir da jaula e digo «queres?». Pergunta estúpida, de facto. Sentira que iria amar, mas temia que a resposta fosse «não». No fim, nem chegou a haver resposta, houve um gesto que demonstrou que tudo por que tinha lutado estava finalmente a dar resultado, esse gesto foi um simples beijo que para uns é algo que não é relevante porque não sentem, mas os que sentem, sentem da melhor maneira de todas, como Especial.
Encontra-se assim, após os beijo, o significado da página caída – «o ‘sempre’ não se encontra, faz-se sentir que existe».

15/03/10

Início duma revolução

Caros leitores, lamento informar, mas hoje começa a Revolução, hoje irei libertar a minha escrita.
Irei demonstrar que afinal não sou apenas um pedaço de pessoa que anda por aí a fumar.
Sou um pedaço de pessoa que escreve o que sente e quando o diz, mente.
Hoje é mais um dia perto do fim.